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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Meu filho é gay. E agora?


Nos últimos anos, muitos adolescentes, jovens e adultos, cristãos e não cristãos, tiveram coragem de se declarar homossexuais. Muitas mudanças ocorreram em nossa sociedade e criaram um contexto propício para que pessoas que até pouco tempo sofriam em silêncio acerca de sua sexualidade. E fez com que pudessem agora se sentir um pouco menos constrangidas em se revelar entre familiares, amigos. E tudo isso publicamente.

Contudo, para pais cristãos este ainda parece ser um assunto extremamente delicado. Há alguns meses, ao falar sobre quando contou a sua mãe acerca da sua bissexualidade, a artista Miley Cyrus declarou que foi difícil para a mãe dela entender. “Ela tinha medo que eu fosse julgada e também não queria que eu fosse para o inferno.” Desconheço as convicções religiosas desta mãe, mas percebo que estes dois receios são comuns a pais cristãos.

Como as pessoas irão tratar meu filho (ou minha filha)? É verdade que, apesar de nossa sociedade estar um pouco mais aberta às relações homoafetivas, ainda existe preconceito, julgamento, e sim, um filho gay poderá encontrar muitas dificuldades em função de sua sexualidade. Contudo, tenho observado que o maior sofrimento de jovens e adolescentes homossexuais é gerado dentro das relações familiares. Como você lida com esse assunto pai, ou mãe, pois a forma como trata seu filho ou sua filha a partir do momento que toma conhecimento acerca de sua sexualidade, pode feri-lo(a) muito mais do que como as pessoas lá fora irão tratá-lo(a).

Meu filho vai se perder espiritualmente? Esta é uma questão teológica, e eu deixarei sua resposta para os teólogos. Entretanto, existe um ponto que me chama a atenção acerca da elaboração desta pergunta. Quantas coisas poderiam levar o seu filho a perder a salvação, queridos pai e mãe, e que você negligencia no dia-a-dia, desde antes mesmo da criança nascer?


Ao ler o livro Orientação da Criança, de autoria da escritora Ellen White, você poderá identificar muitos fatores para as quais pais e mãe fecham os olhos, e que põem em risco a salvação de seus filhos. Ainda que biblicamente os cristãos tenham uma posição contrária às condutas homossexuais, a negligência existente em torno de tantos outros assuntos que biblicamente são relevantes para o destino eterno de nossos filhos me leva a pensar que o assunto da homossexualidade carrega um estigma entre nós cristãos, enquanto outros assuntos são cada vez menos alvo de preocupação. Então eu lhe pergunto: você que tem um filho gay está realmente preocupado com o destino eterno de seu filho ou está usando uma crença religiosa como forma de esconder o seu próprio preconceito? Corro um tremendo risco de ser mal compreendida aqui, e quero deixar bem claro que não estou defendendo nenhuma prática condenada pela Bíblia. A Igreja Adventista, por exemplo, mantém-se firme contra a homossexualidade baseada na Bíblia Sagrada.

Posição Adventista sobre homossexualidade:



O que estou fazendo é o contrário. Quero chamar a sua atenção para a existência de outras práticas condenáveis com as quais parecemos não nos importar. Creio piamente que princípios cristãos não existem para velar preconceitos, pois devem reger toda a vida, e não apenas a área da sexualidade. Muitos filhos se sentem vítimas de preconceito por parte dos pais cristãos, porque percebem esta tremenda incoerência que há em tratar com leviandade tantos assuntos importantes e se apegar de forma tão veemente ao assunto da sexualidade. Sabe o que eles aprendem com isso? Que seus pais cristãos são homofóbicos. E queridos, de certa forma, eles têm razão ao deduzir isto quando veem esta incoerência no lar.

E falando em princípios, não poderia deixar de mencionar aquele que é o mais importante de todos – o amor. Um texto bíblico bastante contundente pode ser lido em I João 4:21 onde é dito que “E Dele temos esse mandamento que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. Há outras menções interessantes como essa: “Ser cristão é ser semelhante a Cristo”.(Ellen White, O Lar Adventista, página 427). E Cristo amava as pessoas. Jesus tratava a todos com amor. A melhor forma de lidar com um filho homossexual é o amando. Você não precisa concordar com o que ele faz ou deixa de fazer. Você precisa apenas amá-lo. E como é difícil isso! É muito mais fácil fazer um sermão para o adolescente, usar palavras rudes e trata-lo com preconceito. Mas se você é um cristão, querido pai/mãe, o seu dever é amar. E isso não se aprende lendo um artigo em minha coluna. Isto, você poderá aprender ao ligar-se Àquele que é o próprio amor.

A homossexualidade de seu filho pode ser visível aos homens, mas a falta de amor e os pecados acariciados no lar estão sempre visíveis aos olhos de Deus. E para um cristão, apenas um julgamento de fato importa – aquele que Deus faz!

Por Karyne Correia, Psicóloga e Mestre em Psicologia. Atua na área clínica, é palestrante e consultora na área de treinamentos, realiza atendimento psicológico online, é coordenadora do Programa Pense Magro, e editora do Blog MulherAdventista.com.



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O ecumenismo de Francisco

O-ecumenismo-de-Francisco---creditos-da-imagem-Flickr

Em sua visita a Cuba e aos Estados Unidos, papa investe na aproximação com diversos grupos religiosos.

“Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo rio… Uma só para mim é pouca, talvez não me chegue… Tudo me quieta, me suspende. Qualquer sombrinha me refresca”. A fala de um dos personagens de Guimarães Rosa, no livro Grande Sertão: Veredas, levou-me a refletir sobre uma questão relacionada ao acontecimento que agitou os últimos dias: a visita do papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos e sua postura em relação ao sincretismo e pluralismo religioso.

O pontificado de Francisco tem chamado a atenção pela constante aproximação de diversas denominações religiosas, bem como pelo engajamento com a política e a comunidade científica. Sua popularidade cresce à medida em que aumenta a apreensão mundial em face de problemas de diversas ordens: abalos na economia, crises políticas, mudança climática, etc. Quem tem acompanhado a trajetória de Jorge Mario Bergoglio na liderança do Vaticano seguramente atentou para seus constantes apelos por unidade entre os povos.

Segundo artigo do jornalista João Fellet para a BBC Brasil, cinco pontos se destacam na visita do pontífice argentino a Cuba: (1) reaproximação desse país com os Estados Unidos; (2) as condições das prisões cubanas e o alto índice da população carcerária; (3) abertura econômica; (4) abertura política e (5) o sincretismo religioso. Este quinto item chamou minha atenção. João Fellet destaca o ponto de vista de Austen Ivereigh, um biógrafo de Francisco, segundo o qual o papa atual tem a visão de que é preciso procurar Deus na fé das pessoas, ainda que ela não seja propriamente a católica.

Essa postura ecumênica me trouxe à memória diversos fatos recentes relacionados ao papa Francisco, tais como sua visita histórica à igreja valdense, em Turim (Itália), e os constantes contatos com os evangélicos, fato que levou o portal Gospel Prime à surpreendente declaração: “Perto do aniversário de 500 anos de Reforma Protestante (em 2017), que dividiu os dois grupos, parece que evangélicos e católicos estão experimentando uma aproximação sem precedentes”.

Não menos notável é a crescente interação entre o Vaticano e o maior império da atualidade. Conforme noticiou o portal Rádio Vaticano, a chegada do pontífice ao solo americano foi marcada por forte emoção. No entanto, o que mais chamou minha atenção é o “ambiente familiar” na recepção. O presidente Obama estava acompanhado da esposa, as duas filhas e a sogra. Para usar as palavras do próprio portal, “como fato bastante incomum, também o vice-presidente Joe Biden e família [ênfase acrescentada] presenciaram a chegada do Papa. Por razões de segurança, é raro que as duas máximas autoridades do país compareçam simultaneamente em um evento público”. A importância desse evento é bastante clara: pela primeira vez na história, um chefe do Vaticano discursa no Congresso Americano.

A ênfase na família é algo bastante visível no pontificado de Francisco, bem como a sugestão de que o domingo se torne um dia internacional de descanso. Com o aumento da crise econômica e o crescimento do índice de desemprego em várias partes do mundo, naturalmente se sentirá a necessidade de mais trabalho e um dia comum de repouso. As coisas estão convergindo para o domingo como esse dia.

Associado a tudo isto está o diálogo com a comunidade científica. Conforme manchete de uma notícia recente do portal telegraph.co.uk, “cientistas se voltam para o papa Francisco e religiões do mundo a fim de salvar o planeta”. Se existe algo com que posso concordar nessa declaração é que o mundo realmente precisa ser salvo, porém não pelo tipo de salvação proposto pela ciência, ou a política, ou a economia, ou qualquer outro campo de conhecimento humano. “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12). De fato, Deus salvará não este planeta, mas as pessoas que nele habitam. Aquelas que, à semelhança de tantos heróis do passado, serão leiais a Deus e perseverantes até o fim (Mt 10:22).

O mais curioso em tudo isto é perceber que, há mais de cem anos, Deus revelou que as coisas caminhariam na direção em que estão caminhando na atualidade. Na edição de maio de 1851 da Review and Herald, o jovem John N. Andrews, com base em Apocalipse 13:11-18, afirmou que os Estados Unidos da América, com apenas 75 anos de independência, se tornariam uma superpotência mundial (ver o livro Profecias Surpreendentes, de Herbert Douglass). A escritora Ellen G. White “ampliou de maneira enfática essa moldura bíblica com detalhes que nenhum ser humano poderia ter imaginado em seus dias” (ibid). Ela afirmou: “Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança a América do Norte for induzida a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram dela um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 151).

Não sabemos quando se cumprirá cada detalhe da profecia, mas podemos estar seguros de que o mundo caminha velozmente para sua derrocada final. [Créditos da imagem: Flickr]


Por ADENILTON TAVARES, mestre em Ciências da Religião e professor de grego e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Bahia

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Visita da ONU

Visita da ONU

Conselheiro especial do secretário-geral da ONU se reúne com líderes da igreja na sede mundial adventista

Um alto funcionário das Nações Unidas visitou a sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia a fim de conhecer a realidade da organização e discutir questões humanitárias atuais. O embaixador Iqbal Riza, conselheiro especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, compartilhou sua visão de mundo e falou sobre os mais urgentes desafios geopolíticos e econômicos durante um almoço de negócios com líderes adventistas dos Estados Unidos, de países da África, da Europa e das Américas do Sul e Central.
Ao citar alguns dos principais objetivos da ONU, Riza relembrou as quatro liberdades humanas essenciais mencionadas em um discurso histórico, em 1941, por Franklin D. Roosevelt, presidente dos Estados Unidos na época: a liberdade de expressão, a liberdade de culto, a liberdade de viver sem passar necessidade e a liberdade de viver sem medo.

Conforme disse o representante da ONU, as instituições religiosas podem fazer muito para melhorar a vida de milhões de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza.

Ele ressaltou o fato de a igreja dar forte ênfase às áreas de saúde e educação, o que, de acordo com ele, é crucial para uma sociedade com mente aberta e na qual as pessoas vivam melhor.

Ele também elogiou o ambiente multicultural da sede mundial adventista, cujos funcionários representam mais de cem nacionalidade e etnias.

Presente na reunião, o presidente mundial da igreja, pastor Ted Wilson, ressaltou que, seguindo o exemplo de Jesus, “os adventistas se dedicam a servir a humanidade em todos os aspectos: físico, mental, social e espiritual”.

O líder dos 18,5 milhões de fiéis também agradeceu a visita feita pelo representante da ONU e a disposição para discutir questões de interesse comum.

Há mais de 35 anos trabalhando na ONU, Iqbal Riza já ocupou os cargos de chefe de gabinete do secretário-geral Kofi Annan, de secretário-geral adjunto para as Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas, de chefe da missão da ONU na Bósnia-Herzegovina, e de diretor da Divisão de Assuntos Políticos e da Assembleia Geral. Antes de ingressar na ONU, em 1977, Riza passou 19 anos no serviço diplomático de seu país de origem, o Paquistão.

A visita dele à sede mundial adventista atendeu a um convite feito por Ganoune Diop, diretor de assuntos públicos da igreja e do departamento de Liberdade Religiosa da Associação Geral. “Eu acredito que é importante continuarmos a construir relações positivas com a ONU e com outros dentro da comunidade internacional cujos objetivos se harmonizam com os nossos”, afirmou Diop.

Em encontro histórico e particular, Ban Ki-moon recebeu o pastor Ted Wilson na sede da entidade em Nova York (EUA). Eles conversaram durante 45 minutos, no dia 6 de abril deste ano, sobre como a Igreja Adventista pode colaborar para conter a crescente intolerância religiosa ao redor do mundo. “Demos enfoque a certas coisas em que a igreja pode ajudar, como liberdade religiosa, liberdade de consciência, valores éticos e espirituais, respeito pela dignidade humana, orientação familiar, incentivo para os jovens e suprir necessidades humanas básicas, como água pura e educação fundamental”, disse Wilson, o primeiro presidente mundial da denominação a se encontrar com um chefe da ONU.




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Adventista visível

02_Editorial_Fotolia
O movimento do advento cresceu e ganhou visibilidade, mas não está livre de problemas

Em sua edição de janeiro/fevereiro deste ano, a revista evangélica de maior circulação na América do Norte, Christianity Today, reconheceu que o movimento adventista se tornou grande demais para ser ignorado. Num artigo intitulado “The Season of Adventists” (A temporada dos adventistas), o periódico reportou o rápido crescimento da denominação, que tem conquistado mais de um milhão de membros anuais nos últimos dez anos, tornando-se a quinta força do cristianismo em número de adeptos.
A matéria também mencionou a preocupação do presidente mundial da igreja, pastor Ted Wilson, de que o sucesso do movimento o leve a perder suas “verdades bíblicas distintivas” e de que as pessoas comecem a agir independentemente, assimilem demais a cultura evangélica, copiem o “estilo pentecostal de adoração”, adotem uma “graça barata” e proclamem um evangelho genérico.
Com a marca de 18,5 milhões de membros ao redor do globo, numa proporção de um adventista para 398 pessoas, e aumentando a contagem a cada mês, o adventismo realmente não pode ser ignorado, nem está livre dos riscos de descaracterização representados pelas mudanças culturais aceleradas. Se a diversidade que vem com a adesão de pessoas de todas as tribos e culturas traz enriquecimento e dinamismo, pode também representar perigo para a identidade. Num grande contingente de conversos há pessoas em todos os estágios da fé. Deus dá o crescimento, mas a igreja precisa cuidar da “planta”.
Depois de mais de 150 anos na estrada, o adventismo está amadurecido e muito bem estruturado. Mas é preciso que cada um conheça a essência e o propósito do movimento para que sua fé se solidifique e a missão da igreja não sofra distorções. Não podemos ser como Cristóvão Colombo, que, ao partir para o Novo Mundo, não sabia para onde estava indo, chegando lá não sabia onde estava e, ao voltar, não sabia onde havia estado!
Em seu melhor, o adventista é um cristão que crê, sabe, é, pertence, envolve-se, serve e espera, num equilíbrio harmônico. Ele crê em Deus e na sua Palavra. Sabe de onde veio, onde está e para onde vai. É um filho de Deus, refletindo a imagem de Cristo. Pertence a um sacerdócio real, uma nação santa, um povo exclusivo. Envolve-se com a comunidade e os outros. Serve a Deus e à sociedade. Espera Jesus e um novo céu e uma nova Terra. Ele não esconde sua identidade no anonimato da multidão, mas torna-se visível pela personificação de suas crenças e do amor a Deus.
Ao refletir sobre o adventismo no contexto atual, precisamos ter uma noção correta de nossa identidade e missão. Nenhuma igreja pode cumprir seu papel com eficácia se não conhecer suas crenças, seus valores e seu propósito. Isso é ainda mais verdade quando se trata de um povo chamado para cumprir uma tarefa específica. Afinal, o adventismo não nasceu do nada ou do acaso, mas do coração de Deus, a fim de ajudar o mundo a se preparar para o maior acontecimento de todos os tempos – a volta de Jesus em glória e majestade.

“Em seu melhor, o adventista é um cristão que crê, sabe, é, pertence, envolve-se, serve e espera, num equilíbrio harmônico”

Diante das mudanças constantes do mundo, como temos nos comportado? Como está a transmissão de nossa mensagem no púlpito e fora dele? Num artigo para a newsletter Reflections, Elias Brasil de Souza, teólogo do Instituto de Pesquisa Bíblica, na sede mundial da igreja, fez algumas ponderações sobre os desafios de “pregar a verdade absoluta em uma sociedade relativista”. Segundo ele, a igreja enfrenta hoje o dilema entre estilos e enfoques diferentes na pregação: objetiva x subjetiva; específica x genérica; global x local; exegética x pneumática; bíblica x contemporânea; intelectual x emocional (no artigo, espiritual); vocacional x profissional; digital x analógica; biblicamente correta x politicamente correta; universal x particular.
Em cada paralelismo desses, ele favorece a primeira ênfase, embora reconheça eventuais pontos positivos na segunda perspectiva. “Nem tudo no pós-modernismo é ruim, mas alguns efeitos colaterais dele precisam de análise crítica”, avalia. O teólogo destaca que o subjetivismo que caracteriza a pós-modernidade, se for levado à sua conclusão lógica, tem um efeito devastador para a compreensão e a proclamação da verdade.
Porém, mais devastador ainda é o esquecimento de quem nós somos, por que estamos aqui e aonde devemos chegar. A matéria de capa da edição de outubro da Revista Adventista é um exercício de memória para que isso não aconteça. 
Por: MARCOS DE BENEDICTO editor da Revista Adventista

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Respeito, tristeza e esperança

respeito-tristeza-e-esperanca-creditos-da-imagem-Lightstock

 Criar pequenos grupos independentes não é uma estratégia de Deus

“Não sei mais o que fazer para ajudá-los”. Esse foi o clamor de um pastor ao falar sobre jovens que haviam formado um grupo de oração. Eles começaram com boas intenções, mas perderam o equilíbrio, tornando-se místicos e críticos, achando-se superiores ao restante da igreja. “Tentei aconselhá-los, mas fui ridicularizado, tratado como liberal e chamado de representante de Laodiceia”, o pastor concluiu.

Em geral, esses grupos surgem com boas intenções, mas infelizmente perdem o rumo, adotando interpretações independentes ou sendo dirigidos por líderes que misturam carisma e falta de equilíbrio. Por fim, afastam-se do corpo da igreja. Quando isso acontece, o que poderia ser uma bênção acaba gerando divisão, discórdia e fanatismo. Deus não trabalha dessa maneira.

O inimigo sabe que, nestes últimos dias, precisamos de uma igreja forte, sólida e integrada para cumprir a missão e preparar um povo para o encontro com o Senhor. Quanto mais nos dividimos, mais nos distraímos e enfraquecemos. Estamos atuando para fortalecer nossa teologia, buscar um reavivamento espiritual e manter a unidade de uma igreja tão diversa. É mais fácil identificar as falhas nesse processo e criticá-lo do que liderá-lo. A dissidência ou independência consome as energias da igreja, tira seu foco da missão e acaba nos distanciando da grande esperança que deveríamos anunciar. Quando isso acontece, tenho três fortes sentimentos: respeito, tristeza e esperança.

Respeito os envolvidos com esses grupos, pois não há outra atitude cristã para tratar com divergências. Minha visão é redentiva, sempre esperando que voltem ao caminho original, como tem acontecido com outros grupos semelhantes. O respeito também me ajuda a lembrar que descer ao mesmo nível do erro para tentar corrigi-lo é repeti-lo.

Vejo com tristeza a maneira como essas pessoas perdem a capacidade de enxergar a realidade e ouvir conselhos. Alguns estão sempre envolvidos em grupos extremistas. Porém, há gente sincera sendo manipulada por líderes carismáticos, criticos e independentes. Minha tristeza aumenta ao ver que muitos desses grupos ficam apenas girando ao redor da igreja, sem nenhum compromisso com a missão e esgotando as forças de seus líderes e pastores.

A maioria tem visão estreita, falando de um tema só. Ou insistem apenas na aparência pessoal, ou música, ou alimentação, ou eventos finais, ou Trindade, ou perfeccionismo, ou dinheiro (e a lista poderia ser longa). Não entendem que a vida cristã é ampla e resultado da integração de muitos temas, fundamentados na graça de Deus.

“Os grupos dissidentes consomem as energias da igreja e tiram seu foco da missão”

Também sinto tristeza ao ver como atacam os demais para defender o que creem. Essa atitude revela suas verdadeiras intenções e mostra que não têm amor nem o espírito de Cristo. Não podemos nos esquecer de que “os que não aprendem a viver em harmonia neste mundo nunca estarão unidos no Céu” (Ellen G. White, Exaltai-o!, p. 357).

Tal cenário difícil, porém, me traz esperança, pois fortalece a percepção de que o momento difícil causado por esses grupos não vai fragilizar ou dividir a “menina dos olhos de Deus”. Grupos assim, na verdade, não se levantam contra a igreja e seus líderes, nem apenas seduzem pessoas inocentes, mas agem contra o próprio Deus ao criar confusão e discórdia, destruir a unidade, enfraquecer a missão e distrair líderes e pastores de seu foco principal. Mas não precisamos temer, pois “as provações da vida são obreiras de Deus, para remover de nosso caráter impurezas e arestas” (Ellen G. White, Beneficência Social, p. 20).

Nossos olhos não estão concentrados nos problemas, e sim nas oportunidades que Deus nos dá. Não é sábio gastar energias, tempo ou recursos para combater esses grupos. Isso só produz distração. Nosso foco precisa estar na missão e em levar a igreja de volta à Palavra. Em meio a tudo isso, precisamos ter em mente estas palavras de Ellen White em Atos dos Apóstolos (p. 12): “Fraca e defeituosa como possa parecer, a igreja é o único objeto sobre que Deus concede em sentido especial sua suprema atenção. É o cenário de sua graça, na qual se deleita em revelar seu poder de transformar corações.” [Créditos da imagem: Lightstock]

Por: ERTON KÖHLER, presidente da Igreja Adventista para a América do Sul





quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pensamento de Johm Piper sobre Pornografia


“Pastor John, você acredita que haja alguma diferença entre nudez de filmes e a nudez em pornografia? Eu conheço vários cristãos que são contra pornografia, mas eles não tem problema algum em assistir filmes ou programas de TV que apresentem nudez gráfica.” Uma jovem mulher chamada Emily recentemente enviou essa pergunta ao “Ask Pastor John”.

Um dia depois, Adam enviou a seguinte pergunta: “Pastor John, o que o senhor diria a um cristão que assiste o programa Game of Thrones“? É um programa de TV com classificação adulta, e se tornou infame por causa da nudez e de cenas de sexo explícito, também por cenas de estupro e violência sexual contra as mulheres. Game of Thrones é agora a série mais popular na história da HBO, com uma audiência média de mais de 18 milhões de telespectadores.

A seguir está uma transcrição ligeiramente editada da resposta de John Piper nesse episódio de “Ask Pastor John”.

Quanto mais perto fico de morrer, de encontrar Jesus pessoalmente (face a face) e de prestar contas da minha vida e das palavras mal-pensadas que eu falei (Mateus 12:36), mais certeza eu tenho da minha decisão de nunca olhar intencionalmente para um programa de TV, um filme, website ou revistas onde eu saiba que irei ver fotos ou filmes de nudez. Nunca. Essa é minha decisão. E quanto mais perto fico da morte, melhor me sinto quanto a isso, e mais dedicado eu me torno.

Francamente, eu quero convidar todos os cristãos a se juntarem a mim nesta busca de uma maior pureza de coração e mente. Em nossos dias, quando o entretenimento da mídia tornou-se praticamente a língua comum do mundo, isto soa como um convite para ser um alienígena. E eu acredito com todo meu coração que o que o mundo precisa é de alienígenas radicalmente destacados, com sacrifício amoroso, apaixonados por Deus. Em outras palavras, estou convidando você para dizer não ao mundo para o bem do próprio mundo.

O mundo não precisa de mais gente legal e “culturalmente esclarecida”, ou seja, de cópias irrelevantes de si mesmo. Isso é um erro que tem enganado milhares de jovens cristãos. Eles pensam que têm de ser descolados, legais, esclarecidos, culturalmente conscientes, observando tudo para não serem bizarros. E isso é o que está desfazendo-os moralmente e desfazendo os seus testemunhos.

Então aqui estão 12 perguntas para se pensar, ou 12 razões porque estou comprometido a uma abstenção de tudo que eu sei que irá me apresentar nudez.

1 – Será que estou recrucificando a Cristo?

Cristo morreu para purificar seu povo. É uma falsificação absoluta da Cruz tratá-la como se Jesus morresse somente para nos perdoar do pecado de assistir a nudez, e não para nos purificar e dar-nos o poder de não vê-la.

Ele tem poder (comprado pelo sangue de Sua cruz). Ele morreu para nos fazer puros. Ele “entregou a si mesmo, por nós, para nos remir de toda iniqüidade e purificar para si um povo para sua própria posse” (Tito 2:14). Se escolhemos endossar, abraçar, desfrutar ou buscar a impureza, é como se tomássemos uma lança e  perfurássemos o lado de Jesus cada vez que fizéssemos isso. Ele sofreu para nos libertar da impureza.

2 – Será que isso expressa ou favorece a minha santidade?

Na Bíblia, do início ao fim, há um chamado radical à santidade – a santidade da mente, do coração e da vida. “Como aquele que vos chamou é santo, vós também sejam santos em todo o vosso procedimento” (1 Pedro 1:15). Ou 2 Coríntios 7: 1, “Uma vez que temos essas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação de corpo e espírito, trazendo santidade para o acabamento no temor de Deus” A nudez em filmes e fotografias não é santa e não faz avançar a nossa santidade. É profana e impura.

3 – Quando irei lançar fora meu olho, se não agora?

Jesus disse que todo aquele que olha para uma mulher com intenção concupiscente já cometeu adultério com ela em seu coração. Se seu olho direito te leva a pecar, arranque-o e jogue-o fora (Mateus 5:28-29). Ver mulheres nuas – ou homens nus – leva um homem ou uma mulher a pecar com suas mentes e seus desejos, e frequentemente com seus corpos. Se Jesus nos ordenou guardar nossos corações, ao arrancar nossos olhos para prevenir a concupiscência, seria certo que Ele também diria: “Não assista a isso!”.

4 – Não é satisfatório pensar naquilo que é honroso?

A vida em Cristo não é apenas evitar o mal, mas principalmente buscar de forma ardente o bem. Lembre-se de Filipenses 4:18, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”

Minha vida não é uma vida forçada. É livre. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gálatas 5:13)

5 – Estou buscando ver a Deus?

Eu quero ver e conhecer a Deus, tanto quanto possível nesta vida e na ressurreição. Assistir a nudez é um enorme obstáculo nessa busca. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5: 8). A contaminação da mente e do coração, observando nudez entorpece a capacidade do coração de ver e desfrutar a Deus. Eu desafio qualquer um a ver nudez e logo após ir diretamente a Deus, orando, dando-lhe graças por causa do que  acabou de experimentar.

6 – Será que eu me importo com as almas daqueles que aparecem nus?

Deus chama às mulheres a se vestirem de uma maneira respeitável, com modéstia e auto-controle (1 Timóteo 2:9). Quando buscamos, recebemos ou embraçamos a nudez em nosso entretenimento, estamos implicitamente endossando o pecado das mulheres que se vendem dessa maneira e, portanto, sendo negligentes quanto a suas almas. Elas desobedecem 1 Timóteo 2:9, e nós dizemos que está tudo bem.

7 – Eu ficaria feliz se fosse uma filha minha interpretando o papel?

A maioria dos cristãos são hipócritas ao assistirem nudez, porque, pelo fato de assistirem, por um lado eles dizem que isso é bom, e, por outro lado, lá no fundo eles sabem que eles não iriam querer que sua filha, esposa ou namorada estivessem interpretando esse papel. Isso é hipocrisia.

8 – Será que eu estou dizendo que a nudez pode ser fingida?

A nudez não é como o assassinato e a violência na tela. A violência na televisão é de faz-de-conta; ninguém realmente morre. Mas a nudez não é faz-de-conta. Essas atrizes estão realmente nuas na frente da câmera, fazendo exatamente o que o diretor pede para elas fazerem com as pernas, as mãos e os seios. E elas estão nuas para que milhões de pessoas possam ver.

9 – Será que eu estou comprometendo a beleza do sexo?

Sexo é uma coisa bonita. Deus o criou e o declarou como “bom” (1 Timóteo 4: 3). Mas não é um esporte para um espectador assistir. É uma alegria santa que é sagrada em seu lugar devido, de um amor terno e seguro. Homens e mulheres que querem ser assistidos na sua nudez estão na categoria de exibicionistas que puxam suas calças para baixo em lugares públicos.

10 – Será que eu estou dizendo que a nudez é necessária para que haja Boa Arte?

Não há um grande filme ou uma grande série de televisão que realmente precise de nudez para adicionar à sua grandeza. Não. Não existe. Existem formas criativas para ser fiel à realidade sem transformar o sexo em um esporte de espectador e sem colocar atores e atrizes em situações moralmente comprometedoras no set.

Não é a integridade artística que está dirigindo a nudez na tela. Debaixo de toda a superfície, o apetite sexual masculino é o verdadeiro motor deste negócio, e, como consequência, a pressão da indústria e do desejo de classificações que as vendem. Não é a arte que coloca a nudez no filme, é o apelo à lascívia. Este sim vende.

11 – Será que eu estou implorando por aceitação?

Os cristãos não vêem nudez principalmente por ter como propósito maximizar a santidade. Mas isso, aparentemente, não impede que eles voltem a assisti-los. No fundo eles sabem que estes filmes e programas de televisão estão cheios de elogios e exaltações a atitudes que estão totalmente fora de sintonia com a morte do “eu” e com a exaltação de Cristo.

Não, o que faz os cristãos voltarem a ver esses programas é o medo de que, se levarem Cristo a sério em Sua palavra e considerarem a santidade um assunto tão sério como estou dizendo que é, eles teriam que parar de ver tantos programas de televisão e tantos filmes, que eles seriam vistos como bizarros. E, hoje em dia, esse é o pior de todos os males. Ser visto como bizarro é um mal muito maior do que ser profano.

12 – Será que eu sou livre da dúvida?

Há uma orientação bíblica que torna a vida muito simples: “Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.“(Romanos 14:32). Minha paráfrase: Se você tem dúvidas, não faça. Se isso fosse seguido, os hábitos de visão de milhões de pessoas seriam alterados, e, oh, quão tranquilamente eles iriam dormir com as suas consciências.

Então eu digo novamente:
Junte-se a mim na busca do tipo de pureza que vê a Deus, e conhece a plenitude da alegria em sua presença e do prazer eterno à sua mão direita.

Resposta dada pelo Pastor John Piper

Traduzido por Erving Ximendes

domingo, 11 de outubro de 2015

O cristão no “The Voice”

Muitos tentam desvestir o pecado da pecaminosidade que lhe é inerente.

Muitos tentam desvestir o pecado da pecaminosidade que lhe é inerente.

Um dia desses assisti por Internet, em um post de amigos meus nas redes sociais, o vídeo de um candidato ao prêmio máximo do reality The Voice Brasil. Uma audição que empolgou aos jurados do programa, que terminaram dançando junto ao aspirante ao estrelato do showbiz. O interessante do vídeo é o fato de que o rapaz é bem conhecido entre os jovens adventistas por ter participado por bons anos de um dos grupos de louvor mais reconhecidos dessa comunidade cristã.

Fui seu contemporâneo por um ou dois anos, durante o tempo em que estudei Teologia. Nunca conversei pessoalmente com ele. Embora seu nome seja bem conhecido, não vou citá-lo por alguns motivos que enumero a seguir: (1) parece claro que sua participação no reality pressupõe haver deixado a Igreja Adventista; (2) não me cabe julgar seus motivos porque, primeiro, não os conheço e, segundo, o coração é jurisdição exclusiva de Deus; e (3) meu artigo não trata exclusiva e pessoalmente dele, mas o toma por base para uma reflexão que, creio, pode e deve ser mais profunda.

Seu comportamento ilustra bem meu argumento. Ao assistir sua desenvoltura corporal e a familiaridade com que incorpora o ritmo, me ponho a pensar como é fácil assumir essa identidade, tenha ele “nascido” ou não na Igreja, como se costuma dizer. E tomo a liberdade – e o atrevimento até – de afirmar que essa não é uma identidade assumida, mas uma identidade tão somente abafada por uma redoma, uma bolha, uma quase camisa-de-força que impõe um padrão de cristianismo que não consegue romper o elo com o que João tão sabiamente advertiu escrevendo em sua primeira epístola: “Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele, porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne e dos olhos, a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo”.

Hoje em dia, com tamanho bombardeio da Internet e das mídias sociais é impossível imaginar que um jovem não beba dessa fonte criticada por João. Mas, mesmo antes, também era assim. Basta recordar que não se necessita esforço para fazer o dito “mal”, nem perguntar… basta fazer. A ciência do incorreto é inata, nasceu conosco e está bem expressa nas palavras autobiográficas do “homem segundo o coração de Deus”, quando afirma: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. Ao passo que para ser uma nova criatura você tem que, necessariamente, ser desintoxicado, desinfetado e passar por uma assepsia de valores e conduta.

Por isso, digo que o jovem não aprendeu a ser tão igual a “eles” no palco do The Voice. Ele e nós, sempre fomos e somos, de alguma maneira, um deles ou um com eles! E assumo o risco dessa afirmação porque vejo na Igreja real, aquela que está além dos tweets, a força com que muitos de nós tentamos manter a vida nos trilhos de Cristo! Não é de admirar que hoje, os jovens entendam o adventismo tão somente como abandonar as carnes ditas imundas ou lutar por manter-se fiel ao sábado abstendo-se de trabalho e estudo nesse dia santo e procurando estar presente nos cultos, muitas vezes só de corpo físico. Mas, será que esse é o alcance do cristianismo advogado por Paulo entre outros tantos? Não é de admirar que depois de cumpridas essas disciplinas sabáticas, os jovens terminem o Dia de Deus no cinema com a galera da Igreja. Não é de admirar que depois de batalhar por uma vaga no emprego dos sonhos, a proposta de trabalho no dia santo já não seja tão resistida assim. Não é de admirar que, roupas, linguagem, estilo de vida, comida e amizades sejam tão próximas ao estilo condenado pelo cristianismo real. Não é de admirar que alguns deles inclusive sejam adeptos das chamadas cervejas sem álcool. Tudo, quase tudo, numa tentativa de desvestir o pecado da pecaminosidade que lhe é inerente. Algo como dizia jocosamente um antigo professor: “Um dia vão criar o porco desporcainado”!

“Pois não me envergonho do Evangelho porque é o poder de Deus para a salvação…” Quando leio essa primeira parte da afirmativa de Paulo, me ponho a pensar que o “poder” está desmerecido em sua capacidade. Há três palavras gregas para “poder” usadas por Paulo: exousia, dinamis e kratos. A que aparece nesse verso tem que ver com “força que é gerada ou originada” por Deus em Cristo, a boa-nova do evangelho! Não é que Cristo tenho perdido a dinamis, nós é que perdemos ou pouco nos apropriamos dessa força geradora de poder. E mais: é um poder que mostra a capacidade transformadora do Evangelho!

Quando eu desisto de me apropriar desse poder me torno presa fácil da natureza intrínseca que estava ali, controlada, medicada pelas doses de cristianismo que a duras penas eu mesmo me impunha. Quando me afasto da fonte, permito brotar aquela pessoa que aflora sem esforço, sem disciplina eclesiástica e sem limites muitas vezes.

Das outras duas palavras, exousia tem que ver com autoridade; e kratos, com força, potência. As três dimensões da palavra “poder” ensinam que não está em nós a capacidade e que essa natureza precisa ser revestida de Cristo como o próprio Paulo expressou na carta aos Gálatas. Quando penso na justificação pela fé, entendo que o Deus do universo aceitou que seu Filho assumisse a nossa natureza! E quando Ele vê um de nós por aqui, enxerga Seu Filho, Sua Justiça, Sua impecabilidade, mas de trás, persiste o eu pecador que só será erradicado para sempre na segunda vinda de Cristo. É o que está expresso uma vez mais pelo apóstolo em 2 Coríntios 5:21, isto é, uma troca. A justiça dele em troca de nossos trapos de imundícia, usando palavras do profeta Isaías…

É triste perceber que o jovem e o seu número artístico não nasceram da apostasia ou afastamento da Igreja. Ele estava ali, mesmo dentro da Igreja, aos sábados e a cada culto, inclusive entregando seu talento em louvor a Deus! O que havia era o equívoco de imaginar que a simples disciplina eclesiástica do sábado, da Igreja, do culto, do louvor, no fundo, representariam uma tentativa de manter inerte ou desabilitado um estado de espírito, uma natureza latente que atos exteriores nunca poderão efetivamente transformar!

O jovem sabe do mundo e das suas concupiscências não porque se alimenta da Internet ou das mídias para conhecê-lo. É claro que isso aumenta o desejo porque a mesma Escritura declara que é pela contemplação que somos transformados. Mas é mais porque nós estamos infectados na corrente sanguínea com o vírus do pecado que é a mancha do leopardo ou a cor de pele do etíope, em figuras usadas por Jeremias, outro dos profetas. Não se pode mudar se Cristo não tomar nossa vida ao ponto de chegarmos a experimentar o que Paulo, mais uma vez, declarou: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E o viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:20).

Penso que antes de crucificar esse ou aquele jovem, nós devíamos passar por essa transformação! A metamorfose que Paulo afirmou em Romanos 12:1-2. Sem essa dimensão é impossível agradar a Deus vivendo pela fé no Filho. O reality show brasileiro mostrando um jovem que “foi” da Igreja nunca foi tão real, pois nos deu a clara demonstração de que nosso cristianismo precisa ser diferente

Por Carlos Henrique Nunes Formado em Teologia, atualmente é pastor na Missão Peruana do Norte. Jornalista profissional há 19 anos, formado pela Unisinos, foi repórter nos jornais Diário Gaúcho e Zero Hora, e professor no curso de Jornalismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho.



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O mal dos fariseus

O mal dos fariseus

Há pelo menos duas décadas eu ouço a palavra ‘fariseu’ ser utilizada em tom pejorativo. Na igreja em que cresci, ela costumava ser utilizada por jovens para criticar os membros mais conservadores da igreja. Aos 19 anos, percebi que não se tratava de um “adjetivo” para o conservadorismo, mas para qualquer pessoa que defendesse as Reformas espirituais, pastores ou leigos, ou que pregasse sobre determinada coisa ser certa ou errada (independente de como pregasse).

Desde que comecei a estudar sobre Reavivamento e Reforma, sempre tive comigo o receio de ser “fariseu”. Isto porque a mensagem de reforma com que tive contato durante a infância e adolescência era a mensagem de saúde, e ela era passada de uma forma nada atrativa. Ao contrário, eu sentia repulsa por esta mensagem e cheguei a afirmar que nunca me tornaria vegetariana. Agora que eu estava estudando e iniciando minha caminhada nas reformas espirituais, o fantasma dos “fariseus” do passado me assombravam.

Mais alguns anos se passaram, e eu finalmente entendi qual era o problema dos fariseus. Ser fariseu, em si, não era problema. O grande problema deles foi apontado por Jesus em Mateus 23:2 e 3:

“Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;”

Jesus afirma que as coisas que os fariseus diziam deviam ser feitas – “observai-as e fazei-as”. O problema não estava então no que eles diziam que se devia ou não devia fazer. O problema, aparentemente, não eram as regras que eles defendiam. O mal dos fariseus era sua própria vida – “não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem”. Eles pregavam aquilo que não viviam. Por isso, em outra ocasião eles foram chamados por Cristo de hipócritas (Mateus 15:7) – “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8

Ainda no capítulo 23, se continuarmos lendo, veremos que eles gostavam de aplausos, de ser bem vistos, de aparentar serem do bem, viverem em retidão, quando na verdade, no íntimo de sua vida aquilo não era real assim. Eles tinham muito discurso, muita pose, mas pouca fidelidade de fato.

Eles também pareciam não compreender o espírito da lei. Cumpriam as formalidades que a lei (moral e cerimonial) exigia, mas não cumpriam a lei de fato, porque a lei não se encerra em suas formalidades. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” Mateus 23:23. Jesus foi claro em dizer “deveis, porém, fazer estas coisas” (o que é próprio do espírito da lei) “e não omitir aquelas” (as formalidades, os detalhes da lei)

Um problema atual

Infelizmente, o mal dos fariseus continua existindo, e todos corremos o risco de sofrer desse mal. Isso porque pregar é mais fácil que viver. Querer que os outros mudem é mais fácil do que mudarmos a nós mesmos. É mais fácil aconselhar do que seguir conselhos.

Recentemente várias pessoas se manifestaram nas redes sociais contra a morte de milhares de cachorros que seriam comidos num festival chinês. Algo que me chamou a atenção na ocasião foi que muitos dos que se indignaram contra o costume chinês (e que pude ler as manifestações de indignação através do meu facebook) são carnívoros. Apenas uma pessoa indignada, dos meus contatos, não come carne, mas usa outros produtos de origem animal que são extraídos a custa de sofrimento animal também. Tenho alguns amigos veganos, e não me recordo de ter visto qualquer manifestação de indignação da parte deles. Aquelas pessoas, movidas por paixão, se queixaram dos chineses, enquanto elas mesmas são cúmplices da morte de milhares de perus na época do Natal, e de centenas de outros animais ao longo do ano (li uma crítica nesta direção, em um site de notícias, e achei bem coerente). Talvez não perceberam que, à semelhança dos fariseus, estavam criticando algo que elas mesmas fazem. É mais fácil querer mudar a China do que mudarmos a nós mesmos!

É mais fácil, também, querer que meu irmão me ame e me aceite, do que amá-lo e aceitá-lo. Uma moça estava se queixando com alguns amigos que o povo da igreja não ama quem é diferente, que sendo adventista, só porque ela usava jóias, isso e aquilo outro, as pessoas a “julgavam”. Depois de alguns minutos ouvindo este discurso, um de seus amigos a questionou se era apenas os que usavam jóias, isso e aquilo que deveriam ser aceitos e amados. Questionou se ela amava e aceitava as irmãs que não usam calça comprida, que só usam saia abaixo do joelho, que seguem uma dieta vegetariana estrita, etc… Houve silêncio, e o assunto mudou.

Isto se repete na igreja em diversas áreas. A pessoa prega sobre modéstia, mas ela mesma não segue os princípios de modéstia cristã. Prega sobre reforma de saúde, mas ela mesma mantém seus pecados acariciados em relação ao apetite. Prega sobre fidelidade nos dízimos e nas ofertas, mas é mesquinha em doar para a igreja parte dos recursos que O Senhor lhe deu no fim do mês. Prega sobre amor ao próximo, mas não é tolerante com quem pensa diferente, ou guarda rancor contra o irmão. E para cada detalhe da vida cristã, teremos exemplos do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. E não me refiro aqui a quem prega algo e eventualmente cai. Este não era o problema dos fariseus – uma queda eventual, para a qual João escreveu a solução (I João 2:1). Refiro-me ao não praticar, como hábito voluntário, aquilo que está pregando.

Uma solução antiga

Foi a um fariseu que Cristo disse: “Necessário vos é nascer de novo.” João 3:7. Essas são palavras profundas. São estas as palavras que o Senhor tem para cada ser humano que sofre deste mal, para cada um de nós.

Nascer de novo não é dar uma melhoradinha em quem eu era antes. Nascer de novo é sinônimo de mudança total.

“A vida cristã não é uma modificação ou melhoramento da antiga, mas uma transformação da natureza. Tem lugar a morte do eu e do pecado, e uma vida toda nova. Essa mudança só se pode efetuar mediante a eficaz operação do Espírito Santo.” Mensagens aos Jovens, pág. 157.

Só podemos nascer de novo pela operação do Espírito Santo. Esta não é uma obra que podemos fazer por nós mesmos. É uma obra que devemos aceitar que o Espírito faça em nós.

Saul era um rei que, à semelhança dos fariseus, se detinha nas formalidades (especialmente para justificar seus pecados). A ele Samuel disse que “obedecer é melhor do que sacrificar” (I Samuel 15:22). Lendo a história de Saul em Patriarcas e Profetas, me deparei com o seguinte texto: “Mas saul estava tão satisfeito consigo mesmo e com sua obra, que saiu ao encontro do profeta como alguém que devesse ser elogiado em vez de reprovado.” (pág. 618). Ele havia cometido um pecado voluntário atrás do outro, movido por orgulho, e ainda desejava ser elogiado em vez de reprovado. Quão dispostos estamos a aceitar a reprovação de nossos atos? O Espírito de Deus nos mostra onde erramos, seja através da Bíblia, dos Testemunhos, de outras pessoas, ou falando diretamente à nossa mente. Mas precisamos estar dispostos a reconhecer que estamos errados para que Ele possa efetuar a obra de transformação.

O rei que substituiu Saul foi chamado “homem segundo o coração de Deus”. Sobre ele, o Espírito de Profecia declara:

“Então Ele chamou ao trono “um homem segundo o Seu coração” (I Sam. 13:14); não um que fosse irrepreensível em seu caráter, mas que, em vez de confiar em si, confiaria em Deus, e seria guiado por Seu Espírito; que, ao pecar, sujeitar-se-ia à reprovação e correção.” (Patriarcas e Profetas, pág. 636)


Como disse anteriormente, todos estamos sujeitos a sofrer do mal dos fariseus. Contudo, isto não é o fim! Jesus tem a solução! O Espírito Santo está ansioso por transformar-nos em nova criatura. Que possamos nos sujeitar à reprovação e correção, a fim de experimentarmos plenamente o poder transformador da graça de nosso Senhor Jesus Cristo.